O Tesouro Nacional divulgou nesta terça-feira (28) o balanço do Tesouro Direto de junho de 2026, com forte aceleração das compras e recorde de emissão líquida. A movimentação reforça a migração do investidor pessoa física para renda fixa.
Segundo o relatório, foram 1.530.276 operações que somaram R$ 14,76 bilhões em aplicações no mês. Resgates e vencimentos ficaram em R$ 4,66 bilhões, abrindo espaço para captação líquida histórica.
O dado ganha peso em um cenário de juros ainda elevados e disputa por retorno real. Para o cidadão, o relatório ajuda a entender liquidez, prazos e a composição das preferências de investimento.
Captação líquida recorde e avanço do estoque do programa
O Tesouro informou emissão líquida de R$ 10,10 bilhões em junho, o maior valor da série histórica. A conta considera compras menos resgates e vencimentos no período.
O estoque do programa fechou em R$ 262,5 bilhões, alta de 4,6% frente a maio (R$ 251,0 bilhões). Em 12 meses, o avanço foi de 45,5% em relação a junho de 2025.
Na fotografia do estoque, os títulos atrelados à inflação seguem dominando, com R$ 132,2 bilhões (50,4%). Em seguida vieram os indexados à Selic, com R$ 97,1 bilhões (37,0%).
Os prefixados somaram R$ 33,1 bilhões, ou 12,6% do total. Na prática, a composição sinaliza preferência por proteção inflacionária e por pós-fixados, reduzindo risco de marcação a mercado.
- Estoque total: R$ 262,5 bilhões
- Indexados à inflação: R$ 132,2 bilhões (50,4%)
- Indexados à Selic: R$ 97,1 bilhões (37,0%)
- Prefixados: R$ 33,1 bilhões (12,6%)

O que o investidor comprou: Selic lidera, IPCA+ encosta
Em volume vendido, o grupo mais demandado foi o de títulos indexados à Selic (Tesouro Selic e Tesouro Reserva), com R$ 6,3 bilhões, equivalentes a 42,3% das vendas.
Os papéis ligados à inflação (Tesouro IPCA+, IPCA+ com Juros Semestrais, RendA+ e Educa+) somaram R$ 6,1 bilhões, respondendo por 41,0% do total.
Já os prefixados totalizaram R$ 2,5 bilhões, ou 16,7%. O recorte sugere que o investidor continua dividido entre rendimento pós-fixado e proteção contra inflação.
Nas recompras (resgates antecipados), predominaram os papéis indexados à Selic, com R$ 3,0 bilhões (64,1%). Títulos de inflação somaram R$ 1,1 bilhão (24,8%).
- Selic: R$ 6,3 bi (42,3% das vendas)
- Inflação: R$ 6,1 bi (41,0%)
- Prefixados: R$ 2,5 bi (16,7%)
Prazos, tíquete médio e base de investidores: o retrato do varejo
As aplicações de até R$ 1 mil representaram 50,7% das operações. O dado indica pulverização de entradas, com participação relevante de pequenos aportes.
O valor médio por operação foi de R$ 9.648,34. Em prazos, a maior parcela de vendas se concentrou em vencimentos entre 1 e 5 anos, com 37,9%.
Os títulos com vencimento entre 5 e 10 anos representaram 45,7% das vendas, enquanto os acima de 10 anos ficaram com 16,4%. No estoque, 46,7% vence entre 1 e 5 anos.
Na base de investidores, o Tesouro apontou 3.689.486 investidores ativos em junho, alta de 97.271 no mês. Em 12 meses, o crescimento de ativos foi de 21,2%.
O total de cadastrados atingiu 35.853.678 pessoas, avanço de 9,5% em relação a junho de 2025. A consolidação do programa amplia a competição com produtos bancários tradicionais.
Para acompanhar o calendário de divulgações e dados macroeconômicos que impactam juros e preços dos títulos, o Banco Central mantém um calendário de divulgação estatística com datas e horários das principais publicações.
No mercado secundário de títulos públicos, movimentos de taxas também podem ser acompanhados em relatórios do BC, como a resenha semanal do mercado aberto, que descreve a evolução da curva e das negociações no período.
Duvidas Sobre o Balanço do Tesouro Direto de Junho de 2026
Os números divulgados em 28/07/2026 detalham quanto o investidor comprou, resgatou e qual foi a preferência por Selic, IPCA+ e prefixados. Abaixo estão respostas objetivas para interpretar esses dados na prática.
O que significa “emissão líquida” no Tesouro Direto?
É a diferença entre o que foi comprado e o que saiu por resgates e vencimentos no mês. Em junho de 2026, o Tesouro informou emissão líquida de R$ 10,10 bilhões, indicando entrada de recursos no programa.
Por que Tesouro Selic costuma liderar quando os juros estão altos?
Porque a rentabilidade acompanha a taxa básica e tende a oscilar menos no preço no curto prazo. Isso faz o investidor aceitar prazos menores com previsibilidade, especialmente para reserva e caixa.
Como usar os dados de prazo (1–5 anos, 5–10 anos) para escolher um título?
O prazo mostra quando o dinheiro tende a ser necessário e o risco de oscilações antes do vencimento. Se o objetivo é curto prazo, títulos mais curtos reduzem volatilidade; para objetivos longos, prazos maiores podem fazer sentido com disciplina.
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