O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e o INSS publicaram uma nova portaria que atualiza as normas do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e muda a forma de apurar a renda familiar em pedidos e revisões.
A medida foi divulgada pelo governo em 04 de junho de 2026 e traz regras que impactam diretamente quem recebe o BPC por idade (65+) ou por deficiência, além de quem está solicitando o benefício.
Na prática, o texto reforça o papel do CadÚnico e define novos critérios de cálculo que podem influenciar análises, cortes e manutenções do benefício em 2026.
O que a portaria muda no cálculo da renda do BPC
Um dos pontos centrais é que a renda passa a ser apurada com base no mês do requerimento ou da revisão, usando dados do CadÚnico e outras bases oficiais do governo.
Isso busca padronizar a análise e reduzir divergências entre informações declaradas e registros administrativos usados nas conferências do INSS.
A portaria também detalha o que deve entrar no cálculo, incluindo rendimentos informais que foram declarados no CadÚnico.
- Rendimentos informais declarados no CadÚnico devem ser considerados na renda.
- Se alguém tiver mais de um benefício previdenciário de até um salário mínimo, apenas um pode ser desconsiderado no cálculo, conforme as regras do ato.
- O requerente deve informar no CadÚnico outros benefícios da Seguridade Social e de regimes locais, inclusive seguro-desemprego.
O governo afirma que a mudança organiza as bases e melhora a consistência das avaliações feitas em concessões e revisões.

Despesas de saúde podem ser deduzidas: o que entra e o que fica de fora
Outro trecho relevante trata da possibilidade de deduzir gastos contínuos e comprovados com saúde do cálculo da renda familiar, em situações previstas.
Segundo a portaria, entram despesas como tratamentos, medicamentos, fraldas e alimentos especiais quando não são disponibilizados pelo SUS ou quando o serviço não é ofertado pelo SUAS.
Na prática, isso pode mudar a situação de famílias que ficam “no limite” do critério de renda e precisam comprovar despesas permanentes.
- Organize comprovantes e laudos que mostrem a necessidade e a continuidade do gasto.
- Verifique se o item/serviço não é ofertado no SUS ou no SUAS no seu município.
- Mantenha o CadÚnico atualizado com composição familiar, endereço e rendas.
O detalhamento consta em portaria publicada pelo MDS em 04/06/2026, que reúne as regras adicionais do novo modelo de apuração.
CadÚnico volta ao centro: atualização por mudança de endereço e família
A portaria reforça que o beneficiário (ou representante) deve atualizar o CadÚnico sempre que houver mudança de endereço ou de composição familiar.
O objetivo declarado é garantir “confiabilidade das informações” e melhorar a comunicação do Poder Público com o beneficiário, evitando bloqueios por inconsistência.
Em paralelo, o próprio MDS voltou a orientar que o responsável familiar procure o CRAS quando houver nascimento, morte, mudança de renda ou endereço, para manter o cadastro correto.
Essa orientação aparece em conteúdo institucional atualizado pelo ministério em junho, ao tratar de acesso e manutenção do Bolsa Família e do CadÚnico como porta de entrada de programas sociais. O MDS reforçou a necessidade de atualização cadastral no CRAS quando houver mudanças na família.
Conversão automática para auxílio-inclusão: atenção ao teto de remuneração
A publicação também informa que o BPC pode ser convertido automaticamente em auxílio-inclusão quando a pessoa com deficiência ingressar no mercado de trabalho, dentro do limite de remuneração previsto.
Pelo texto divulgado, a conversão ocorre para quem passa a receber até dois salários mínimos, mantendo o foco em proteção social e formalização do trabalho.
Quem está nessa situação deve acompanhar notificações e manter dados consistentes no CadÚnico, para evitar interrupções durante transições de renda.
A indicação de conversão automática e o limite de dois salários mínimos constam na própria comunicação do governo sobre a portaria. A portaria cita conversão automática do BPC em auxílio-inclusão para remuneração de até dois salários mínimos.
Dúvidas Sobre a portaria do BPC publicada em 04/06/2026
As novas regras mexem no cálculo de renda, na forma de comprovar despesas e reforçam a obrigação de manter o CadÚnico correto. Estas dúvidas são as que mais afetam pedidos e revisões do BPC em 2026.
Essa mudança já vale para quem está pedindo o BPC agora?
Sim: a portaria prevê apuração da renda com base no mês do requerimento, usando CadÚnico e outras bases oficiais. Na prática, pedidos e revisões passam a seguir esse padrão conforme a implementação pelos órgãos.
Gastos com remédio e fralda podem reduzir a renda calculada?
Podem, desde que sejam gastos contínuos, comprovados e relativos a itens/serviços não disponibilizados pelo SUS ou não ofertados pelo SUAS. Sem documentação, a dedução tende a não ser reconhecida.
O que eu preciso atualizar no CadÚnico para não ter problema no BPC?
Atualize sempre que mudar endereço, entrar ou sair alguém da casa, ou variar renda e situação de trabalho. Essas mudanças são usadas para conferências em revisões e podem evitar bloqueios por inconsistência cadastral.
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