108 mil mulheres aguardam INSS liberar salário-maternidade atrasado

Benefício que era concedido em 20 minutos, hoje leva meses. Nesta sexta, CUT e centrais protestam contra o descaso e a má gestão do governo Bolsonaro que está desmontando o INSS

Atualmente, 108,3 mil mulheres que deram entrada no pedido de salário-maternidade estão aguardando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisar o requerimento há mais de 45 dias, prazo oficial para o órgão dar a resposta, de acordo com a Lei.

Estão na fila desempregadas e trabalhadoras domésticas, rurais e autônomas que se afastaram das suas atividades porque tiveram bebês, adotaram filhos ou sofreram um aborto espontâneo, provocados por risco de vida para a mãe ou estupro, a critério médico.

As trabalhadoras formais solicitam o benefício à empresa e, portanto, recebem  o salário pago pelo empregador durante o afastamento. Depois, o governo compensa os empregadores.

O salário-maternidade pago às trabalhadoras que contribuem com INSS é um dos benefícios previdenciários que engrossam as filas de espera de mais de 2 milhões de pessoas que saíram do entorno das agências e foram para dentro dos computadores. São as chamadas filas virtuais.

Protesto contra as filas

Nesta sexta-feira (14), a CUT e demais centrais farão atos contra a fila de espera nas agências do INSS em todo o país, a partir das 9h.

Os sindicalistas vão distribuir panfletos mostrando que o que está acontecendo é consequência da falta de investimentos e má-gestão do governo de Jair Bolsonaro e alertar que a população precisa exigir que os problemas do INSS sejam resolvidos.

A volta das filas no INSS

A volta das filas de espera no INSS coincide com o golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. Naquele ano, os investimentos em políticas públicas começaram a ser drasticamente reduzidos.

A falta de investimentos começou com o ilegítimo Michel Temer e se agravou com a eleição de Bolsonaro que não investe em tecnologia nem em equipamentos para atender dignamente a população e cortou concursos públicos até para repor os servidores que se aposentaram, morreram ou partiram para outras carreiras. Entre 2016 e 2019, o quadro de servidores caiu de 33 mil para 23 mil.

As filas virtuais são resultado também de má gestão. Com a criação do INSS Digital, a direção do Instituto acabou com o atendimento presencial que, nos casos de baixa complexidade como salário-maternidade, concedia o benefício, em média, em 20 minutos.

“Eles colocaram o pessoal que atendia nos balcões das agências para fazer trabalhos de retaguarda, como se todos os brasileiros tivessem computador em casa e facilidade para usar canais remotos”, critica Vilma Ramos, diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo (SINSSP-SP).

De acordo com a dirigente, “o INSS Digital, a utilização de tecnologia obsoleta e a restrição do atendimento presencial à população nas agências desencadearam a explosão dessa fila virtual de 2 de milhões apenas de pedidos de reconhecimento inicial de direito, ou seja, o primeiro requerimento ou pedido de benefício do segurado, seja de salário-maternidade, aposentadoria, auxilio-doença ou outro”.

Vilma ressalta que a fila de espera é muito maior, pois nesses 2 milhões tão divulgados pela imprensa não estão contabilizados os números de outros serviços, como recurso, revisão e Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), por exemplo.

“São números impressionantes, principalmente porque se trata de pessoas que podem ter nesse benefício a sua única fonte de renda”, disse a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDF), Adriane Bramante, ao Agora S. Paulo, que levantou junto ao INSS o número de mulheres aguardando o salário-maternidade.

Sobre o salário-maternidade:

Quem pode utilizar esse serviço?

A pessoa que atender aos seguintes requisitos na data do parto, aborto ou adoção:

  • Empregada MEI (Microempreendedor Individual);
  • Pessoa desempregada, desde que mantenha qualidade de segurado;
  • Empregada Doméstica;
  • Empregada que adota criança;
  • Casos de falecimento da segurada empregada que gerem direito a complemento de pagamento para o cônjuge viúvo.

Duração do benefício:

A duração do Salário-Maternidade depende do motivo que deu origem ao benefício:

  • 120 dias no caso de parto;
  • 120 dias no caso de adoção ou guarda judicial para fins de adoção, independentemente da idade do adotado que deverá ter no máximo 12 anos de idade;
  • 120 dias, no caso de natimorto;
  • 14 dias, no caso de aborto espontâneo ou previstos em lei (estupro ou risco de vida para a mãe), a critério médico.

Exigências

Dependendo da situação do segurado, é necessário ter uma quantidade mínima de meses trabalhados (carência):

10 meses: para quem trabalha por conta própria, é contribuinte facultativo ou é segurado especial (rural)

Isento: para empregados (CLT), empregado doméstico e trabalhador avulso

Desempregados

Quem estiver desempregado no momento do afastamento precisa comprovar a qualidade de segurado do INSS e, conforme o caso, ter cumprido carência de 10 meses trabalhados

Havendo perda da qualidade de segurado, deverá cumprir metade do período da carência, ou seja, cinco meses.

Duração

O período de pagamentos do benefício depende do motivo que deu origem à concessão:

120 dias, nos casos de parto, adoção ou guarda judicial para fins de adoção (o adotado deverá ter no máximo 12 anos de idade)

14 dias, no caso de aborto espontâneo ou previstos em lei.

Para mais informações sobre o salário-maternidade, entre na página do INSS.

 

Saia da fila do INSS e venha para a luta. Confira onde haverá atos nesta sexta

CUT, demais centrais sindicais e movimentos sociais vão protestar em vários locais do Brasil contra o desmonte do INSS e em defesa de servidores e do serviço público prestado pelo Instituto

Em vários estados brasileiros, a CUT, centrais sindicais e movimentos sociais já se preparam para as ações de protesto contra o sucateamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que serão realizadas em todo o país, nesta sexta-feira (14). Confira abaixo a lista dos locais onde tem ato marcado.

Com panfletagens e diálogos – dentro e fora das agências – com a população e os servidores, a manifestação denunciará o desmonte do instituto que tem gerado filas tanto nas agências quanto pela internet e tem prejudicado milhões de brasileiros que estão à espera da análise de pedidos de concessão de benefícios.

Pedidos de aposentadoria, de auxílio-doença, e outros benefícios ficaram ainda mais difíceis para cerca de dois milhões de brasileiros, que aguardam na fila. A liberação do salário-maternidade está atrasada para mais de 108 mil mulheres. Por lei, o prazo máximo para a concessão é de 45 dias.

O caos no INSS é resultado da política contrária à existência de serviço público e pró-privatização do governo de Jair Bolsonaro, que congelou investimentos e cancelou os concursos públicos, o que resultou no fechamento de agências, na falta servidores  – nem os que morrem ou se aposentam são substituídos -, e na precarização das condições de trabalho por falta inclusive de equipamentos que funcionem.

Com esse desmonte, as agências do INSS ficaram sobrecarregadas, sem condições de atender à alta demanda de pedidos, ocorridas especialmente por causa da reforma da Previdência que entrou em vigor em novembro do ano passado.

Sindicalistas e a população vão exigir que o governo resolva o casos no INSS. Sérgio Nobre, presidente da CUT Nacional, alerta  que “a situação poderá se repetir em outros setores dos serviços públicos como saúde e educação, que já sofreram com cortes em recursos no primeiro ano da gestão do Bolsonaro”.

Governo que não gosta de pobres

A Secretaria Geral da CUT, Carmen Foro, reforça a necessidade de toda a população ter consciência dos problemas que o INSS enfrenta pela falta de estrutura e de servidores. “É o povo, principalmente os mais pobres, que sofrem com essas atrocidades do governo Bolsonaro”.

“Estamos lutando contra a retirada do direito de acesso aos serviços públicos pela população. No caso do INSS, imagine o que as enormes filas causam na vida das pessoas. O que devem estar sofrendo as mulheres que não tem o auxílio-maternidade ou o trabalhador que teve de se afastar do trabalho por motivo de doença. Como fica a vida dessas pessoas?”, questiona a dirigente.

Para ela, as bizarrices do governo Bolsonaro comprovam que o “governo não gosta de pobres”.

A lógica de Bolsonaro, afirma Carmen Foro, é perversa por que deixa o serviço público sem servidores para a atender à população, que fica “à mercê da sorte, sem poder receber direitos”.

Carmen ainda avalia que a mobilização do movimento sindical em conjunto com os movimentos sociais começa o ano de 2020 “com toda força na luta contra os ataques do governo Bolsonaro”. Ela cita como exemplos a expressiva greve dos petroleiros, iniciada no dia 1° de fevereiro, e as mobilizações de professores em estados como Ceará e Minas Gerais.

Atos marcados:

Alagoas

Atos em Arapiraca, São José de Tapera, Palmeira dos Índios, Santana de Ipanema e um ato na agência do INSS- Almirante Álvaro Calheiros – Mangabeiras

Bahia

Salvador: Ato Popular contra o Desmonte do INSS está sendo realizado nesta quinta-feira (13), na gerência do INSS de Salvador.
Sindicatos filiados à CUT Bahia participam do protesto

Ceará

Fortaleza: a atividade foi realizada no final de Janeiro, em frente ao prédio da Superintendência do INSS. Trabalhadores estarão em atividades relacionados a greve dos petroleiros e dos servidores de Baturité, Canindé, Maracanaú e Beberibe.

Distrito Federal 

Brasília: ato às 11h, na agência do INSS-SAF, Bloco O

Espírito Santo

Vitória: ato nas agências do INSS da capital e no interior do Estado

Goiás

Goiânia: carreata pelo Centro da cidade e debates nas principais agências do INSS e ato na Agência do INSS de Aparecida de Goiânia.

Minas Gerais

Belo Horizonte: assembleia dos trabalhadores da educação, Correios, Petroleiros e Dataprev serão realizadas nesta sexta as 14h. Por isso, não tem atos nas agências.

Pará

Belém:  ato na Agência Central do INSS, às 8h

Pernambuco

Recife: ato à partir das 8h na Avenida Dantas Barreto, próximo ao Edifício JK

Rio Grande do Norte

Natal: Ato na Agência do INSS de Nazaré, 8h

Rio Grande do Sul

Porto Alegre: ato à partir das 7h na Travessa Mario Cinco Paus

Santa Catarina

Joinville: ato às 9h, em frente à agência central do INSS, Rua 9 de Março, 241

Blumenau: ato às 12h em frente ao INSS, na Rua Pres. John Kennedy, 25

São Paulo

Capital: concentração na agência da Rua Cel. Xavier de Toledo, 280, com caminhada até a Superintendência do INSS no Viaduto Santa Ifigênia.

São Bernardo do Campo: ato à partir das 8h na agência da Avenida Newton M. de Andrade, 140, no Centro.

Santo André: ato à partir das 8h, na agência da Rua Adolfo Bastos, 520 – Vila Bastos

Baixada Santista: ato à partir das 7h na agência da Av. Dr. Epitácio Pessoa, 441 em Santos

Presidente Prudente: ato à partir das 8h30 na Rua Siqueira Campos, 1315

Campinas: ato à partir das 6h30, na agência da Rua Barreto Leme, 1117, no Centro

Jundiaí: ato às 9h na agência da Rua Barão de Jundiaí, 1150

Sorocaba: concentração às 8h na sede do Sindicato dos rodoviários (Rua Capitão Augusto Franco, 159) com caminhada até a agência do INSS

Itapeva: ato às 9h em frente à agência do INSS (Rua Teófilo David MüZel, 186)

Sergipe:

Aracaju: ato à partir das 7h, em frente à Agência do INSS, na Av. Ivo Prado, 448

CUT e centrais farão protestos nesta sexta (14), para denunciar a destruição do INSS

Sindicalistas vão dialogar com trabalhadores e servidores sobre a urgência de defender o INSS para melhorar o atendimento, acabar com filas e impedir o desmonte. Em SP, ato começa na Agência da Xavier de Toledo

Nesta sexta-feira (14), as agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em todo o país serão palco de protestos contra o sucateamento tanto do Instituto como dos demais serviços públicos, promovido pelo governo de Jair Bolsonaro. Os atos estão marcados para acontecer a partir das 9h da manhã nas agências centrais de vários estados brasileiros e em cidades do interior.

ato principal será realizado na capital paulista, a partir das 9h, com concentração na agência da Rua Cel. Xavier de Toledo, 280, no centro de São Paulo. De lá, a manifestação segue em caminhada até a Superintendência do INSS, no Viaduto Santa Ifigênia.

Os sindicalistas vão distribuir panfletos mostrando que o que está acontecendo é consequência da falta de investimentos e má gestão do governo Bolsonaro e alertar que a população precisa exigir que os problemas do INSS sejam resolvidos. Essa luta é de todos os brasileiros.

“Queremos que o governo contrate pessoas, realize concursos públicos, acerte o quadro de pessoal, respeite o povo brasileiro e acabe com as filas”, diz o presidente da CUT, Sérgio Nobre lembrando que Bolsonaro acabou com os concursos públicos, não repôs servidores que se aposentaram ou morreram e é ruim de gestão.

Entre 2016, ano do golpe de Estado, e 2019, o quadro de servidores caiu de 33 mil para 23 mil. Além disso, denunciam os servidores, a gestão atual decidiu colocar funcionários que atendiam o público na retaguarda em trabalhos internos e todo atendimento que era feito no balcão passou a ser feito por meio do INSS Digital.

O resultado é que o INSS está sobrecarregado, com alta demanda de pedidos de concessão de benefícios, como aposentadoria e auxílio-doença, e a falta funcionários piora o problema. Atualmente são mais de dois milhões de brasileiros aguardando análise dos pedidos.

O sistema entrou em colapso. Filas enormes, tanto virtuais quanto nas agências, o povo sofrendo com a precariedade dos serviços e trabalhadores sobrecarregados, adoecendo. É a trágica situação do INSS atualmente

– Sérgio Nobre

O presidente da CUT Nacional alerta ainda que a situação do INSS é um exemplo do que vai acontecer em outras áreas, como saúde e educação, por isso é importante conscientizar o povo brasileiro e os servidores que o caos no instituto pode ocorrer em outros setores porque este governo quer vender tudo para iniciativa privada, até as aposentadorias e outros benefícios previdenciários. Mas, antes de privatizar, eles desmontam.

“Bolsonaro e Guedes têm aversão a tudo o que é público e querem transformar tudo em privado. Essa é a visão ultraliberal deles que traz graves consequências para o povo. Se todos os serviços forem privatizados, como fica o povo, que não tem nem emprego nem renda para pagar por esses serviços?”, questiona Sérgio Nobre

“As pessoas têm direito ao serviço público. No INSS, não é só pela aposentadoria. É porque elas têm problemas de saúde, sentem dores, estão afastadas do trabalho e não pode receber durante o tratamento”, completa o presidente da CUT.

Mas, para tentar sanar os problemas do INSS, causados também pelo fechamento de agências e a falta de investimentos nos equipamentos, o governo ao invés de apresentar soluções efetivas como contratar mais trabalhadores entre os milhões de desempregados e realizar concursos públicos, chama militares da reserva para cobrir a falta de funcionários. Esses militares, já aposentados, não estão qualificados para desempenhar as funções do Instituto.

Más intenções

O sucateamento do INSS é um exemplo do que pode acontecer em outras áreas do serviço público que são essenciais à população, em especial às pessoas mais carentes. Investimentos em saúde e educação já foram cortados pelo governo. Segundo dados do Tesouro Nacional, somente no primeiro ano de mandato, Bolsonaro cortou 4,3% dos gastos com saúde e 16% dos gastos com educação.

Enquanto isso, a área da defesa teve um aumento de 22,1% de aumento nos investimentos.

“O INSS já foi desmontado. Agora fazem a mesma coisa na educação e na saúde. O que Bolsonaro e Paulo Guedes [ministro da Economia] querem, na verdade, é fazer uma reforma administrativa para cortar salários e demitir funcionários públicos”, alerta Sérgio Nobre.

O dirigente ainda reforça que o povo continuará precisando e procurando escolas, hospitais públicos e outros serviços, e com a falta de servidores, a exemplo do INSS, o caos será instaurado nos outros setores.

Só resistência e luta podem mudar esse cenário

Carmen Foro, Secretária-Geral da CUT Nacional, afirma que “é a resistência da classe trabalhadora o único caminho para barrar o desmonte do Estado pelo governo de Bolsonaro”.

Ela reforça a importância de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil participarem dos atos e, junto com a CUT e demais entidades lutarem pelos direitos dos brasileiros de ter acesso aos benefícios previdenciários nos prazos determinados pela lei.

“Somos os mais prejudicados por esse verdadeiro ataque ao INSS. Imagine uma gestante que dá a luz ao seu filho e não consegue receber, há meses, o seguro maternidade. Isso está acontecendo em todo país e é um absurdo”, protesta Carmen.

CUT e centrais farão protesto contra o sucateamento do INSS no dia 14

Atos contra o caos na liberação de benefícios previdenciários serão realizados em frente a agências em todo o Brasil. “Só a resistência da classe trabalhadora pode barrar o desmonte do Estado”, diz Carmen Foro

No dia 14 de fevereiro, sexta-feira da semana que vem, a CUT, demais centrais sindicais e movimentos sociais somarão forças para realizar, mais uma vez, protestos em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e de todos os brasileiros.

Desta vez, a mobilização será contra o caos nas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil. As ações, em frente às agências, incluem panfletagens e diálogo com a população para alertar sobre a má gestão do governo de Jair Bolsonaro no instituto, que vem penalizando a população com filas de mais de dois milhões de pessoas aguardando análise de pedidos de benefícios.

O fechamento de agências, a não reposição de servidores que se aposentarem, morreram ou desistiram do serviço público, além da falta de investimentos nos equipamentos são as consequências do  processo de sucateamento do sistema previdenciário brasileiro.  Bolsonaro está praticamente desmontando a Seguridade Social.  A reforma da Previdência é um exemplo. Milhões de trabalhadores não vão conseguir se aposentar. A nova lei colocou em risco todo o conjunto de benefícios criados com o objetivo de amparar os brasileiros e suas famílias na velhice, na doença e no desemprego.

Para sanar os problemas, o governo ao invés de apresentar soluções efetivas como contratar mais trabalhadores entre os milhões de desempregados no Brasil e realizar concursos públicos para atender à demanda, chama militares da reserva para cobrir a escassez de funcionários no INSS. Esses militares, já aposentados, não estão qualificados para desempenhar as funções do Instituto.

Bolsonaro alega não ter recursos para realizar concursos públicos, mas a contratação desses militares custará aos cofres públicos cerca de R$ 174 milhões por ano.

Os servidores da ativa também sofrem com o desmonte, ficando sobrecarregados de trabalho, muitas vezes trabalhando até 15 horas por dia e adoecendo para atingir as metas estabelecidas pelos gestores do INSS.

Só resistência e luta podem mudar esse cenário

Carmen Foro, Secretária-Geral da CUT Nacional, afirma que “é a resistência da classe trabalhadora o único caminho para barrar o desmonte do Estado pelo governo de Bolsonaro”.

Ela reforça a importância de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil participarem dos atos e, junto com a CUT e demais entidades lutarem pelos direitos dos brasileiros de ter acesso aos benefícios previdenciários nos prazos determinados pela lei.

“Somos os mais prejudicados por esse verdadeiro ataque ao INSS. Imagine uma gestante que dá a luz ao seu filho e não consegue receber, há meses, o seguro maternidade. Isso está acontecendo em todo país e é um absurdo”, protesta Carmen.

A culpa disso tudo é da incompetência e má vontade de Bolsonaro com o povo brasileiro

– Carmen Foro

O ato do dia 14 é um protesto contra o fechamento de agências e a militarização do INSS, em defesa dos servidores, da Previdência Social, pela realização imediata de concursos públicos e atendimento urgente e imediato de todos os pedidos de benefícios que estão na fila e que irão entrar no sistema.

Protestos

A direção da CUT orientou suas entidades filiadas a dialogar com os usuários que estão nas filas do INSS à espera dos benefícios e também com os servidores das agências para denunciar o desmonte da Previdência e a falta de condições de trabalho.

Próximos atos

Carmen lembra também que a agenda do Congresso Nacional em 2020 é de mais ataques aos direitos dos trabalhadores. “Começamos o ano com uma agenda pesada de retirada de direitos da classe trabalhadora, com pautas como a reforma tributária, a reforma administrativa, privatizações e todos sabemos as consequências negativas das medidas de Bolsonaro, tanto as que estão tramitando no Congresso quanto as que já foram aprovadas”.

Dia da mulher será dia de muita luta

Por isso, ela diz, a mobilização do movimento sindical será de muita luta. Além do dia 14 de fevereiro, a CUT, centrais e movimentos sociais organizam o 8 de Março – Dia Internacional da Mulher, que terá como foco denunciar a violência contra a mulher praticada pelo Estado ou pela ausência de proteção, a defesa das políticas públicas como ampliação do número de vagas e construção de novas creches, educação integral e políticas de distribuição de renda, além de políticas locais de geração de trabalho, emprego e renda para as mulheres.

Dia 18 de março é dia de luta

Já no dia 18 de março, para enfrentar os ataques aos direitos, trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias, dos setores público e privado, participam do Dia Nacional de Luta em Defesa do Serviço Público, da Educação Pública, Estatais, Emprego e Salário, Soberania, Defesa da Amazônia e Agricultura Familiar.

A CUT e demais centrais sindicais já estão organizando também os atos unificados do Dia do Trabalhador – o dia 1° de Maio.

SEXTA: ‘Caos no INSS, filas! A Culpa é do governo e não do Trabalhador’

Vai ter ato unificado em Aracaju contra o Governo Bolsonaro e em defesa dos trabalhadores do INSS na manhã desta sexta-feira (14/2) na agência do INSS da Av. Ivo do Prado

‘Caos no INSS, filas! A Culpa é do governo e não do Trabalhador’ é o mote do Ato Unificado de todas as Centrais e Movimentos Populares em defesa do INSS.

Trabalhadores do INSS de todo o Brasil levantam em protesto contra o governo Bolsonaro na manhã desta sexta-feira (dia 14/2). Aqui em Aracaju, às 7h da manhã, o protesto acontece na Avenida Ivo do Prado, em frente à Agência do INSS e vai contar com o apoio e participação de vários sindicatos e trabalhadores.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Roberto Silva, convida todos os sindicalistas de Sergipe e a população em geral a participar do protesto em defesa do INSS. “O Governo Bolsonaro massacra os trabalhadores do INSS. Não tem investimento no setor, não faz concurso público, aposta no caos. O trabalhador do INSS é muito importante, é quem lida diretamente com nossos direitos securitários, previdenciários e trabalhistas, por isso a CUT orienta que todas as trabalhadoras, os trabalhadores que puderem participar deste protesto marquem presença, tragam seus familiares, expressem seu apoio aos servidores do INSS, pois a luta é dura e precisamos de todos”, resumiu.

Presidente da CUT/SE, Roberto Silva destacou que a realidade dos trabalhadores do INSS em Sergipe é ainda pior do que o contesto nacional. “É urgente que tenhamos melhorias no atendimento à população. A nossa necessidade é gritante. No Estado de Sergipe, por exemplo, estamos sem funcionários, sem médico legista, isso inviabiliza o trabalho da perícia que é necessária para a concessão do benefício”.

No site do SINDIPREV/SE (Sindicato dos Trabalhadores Previdenciários), o Coordenador Geral Antônio Joaquim publicou uma convocação alertando que a luta é nas ruas. “Nós, servidores públicos, estamos sendo vítimas da agressão e ódio de um Governo que deveria, por princípios e ética, nos dar as condições de executar, com dignidade, nossas atividades”, denunciou.

No site, Joaquim explicou o embate com o Governo Federal que, em todas as suas atitudes oprime, reduz direitos e reduz remuneração dos servidores públicos.

“O Governo Bolsonaro já nos chamou de PARASITAS e propõe uma redução de GDASS, através do sistema de Metas e 25% via Reforma Administrativa, nos comparando a PARASITAS da Máquina Pública. Não existe discussão de estrutura ou carreira, mas de nos jogar na Carreira Única do Serviço Público, Carreirão, nos privando de um futuro dentro do Setor. Ao invés de aceitar nossas propostas, o Governo clama a intervenção militar no Setor Público com a finalidade de mostrar a toda sociedade que realmente somos os PARASITAS. Não podemos ficar inertes a tudo isso. A luta não é semipresencial. A conquista é nas ruas”, afirmou o Coordenador Geral do Sindiprev/Se.

Trabalhadores do Dataprev em defesa do INSS

Todos os 20 trabalhadores do Dataprev em Sergipe vão participar do protesto. Os servidores concursados lutam em defesa do emprego, pois desde janeiro/2020 o governo Bolsonaro tenta desmontar 20 escritórios do Dataprev de todo o Brasil, entre eles, o de Sergipe.

Presidente do SINDTIC/SE (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação), Jairo de Jesus também é secretário da CUT/SE e explica a semelhança do trabalho dos servidores da Dataprev e do INSS. “A gente conhece boa parte do serviço do INSS, portanto acredito que ceder os servidores da Dataprev para o INSS será uma medida inteligente. Boa para os servidores e para o Brasil”, resumiu.

Elder Vinícius Lins Duarte, Engenheiro de Segurança na Dataprev há 7 anos, é um dos 20 trabalhadores que têm tomado remédios para dormir desde que o governo federal tenta demiti-lo. “Fica aquela angustia, aquele sentimento ruim. A gente quer trabalhar, quer que tudo se resolva. Queremos produzir, ajudar a nação. A nossa demissão foi suspensa graças à luta do nosso sindicato e agora lutamos para que sejamos cedidos para outras empresas. Podemos ser cedidos para o INSS e atuar na redução das filas. Existem mais de 1 milhão e 300 mil benefícios represados. Estamos dispostos a trabalhar e ajudar o trabalhador brasileiro da melhor forma”.

Segundo Elder, outro motivo de participar do protesto amanhã é a necessidade de divulgar a luta dos trabalhadores da Dataprev. “Queremos mostrar a Dataprev para os cidadãos brasileiros, muita gente não conhece a nossa empresa, que tem grande proximidade de atuação com os trabalhadores do INSS, administramos dados da previdência. Vamos denunciar o desmonte do estado brasileiro que massacra os servidores públicos e prejudica a população”.