O Banco Central (BC) colocou em consulta uma proposta que pode mudar a rotina de quem usa stablecoins para enviar recursos ao exterior ou para autocustódia. O ponto central é a criação de uma “retenção” temporária antes de concluir certas transferências.
Pelo desenho apresentado, instituições e corretoras poderiam reter por até 24 horas operações com stablecoins quando houver indício de risco e o valor atingir o equivalente a US$ 10 mil, inclusive por soma diária do mesmo cliente.
A medida entra no radar do mercado em um momento de aumento do uso de criptoativos em transações internacionais e de pressão por mecanismos antifraude mais aderentes à velocidade desses fluxos.
O que o BC propôs e em quais situações a retenção pode ocorrer
Segundo relato publicado após reunião com representantes do setor, o BC discutiu uma regra de retenção por até 24 horas para operações com stablecoins destinadas a carteiras de autocustódia ou a transferências para o exterior.
O gatilho de valor citado é US$ 10 mil (ou equivalente), aplicado tanto por transação quanto pelo total movimentado no dia pelo mesmo cliente.
Na prática, a proposta cria uma janela de tempo para checagens adicionais, especialmente em transferências que podem ser usadas para “pular” camadas tradicionais de controle.
- Operações com stablecoins enviadas para autocustódia (carteira do próprio usuário)
- Operações destinadas ao exterior
- Casos em que a transação isolada ou a soma diária alcance US$ 10 mil
O BC também sinalizou que o objetivo é elevar a capacidade de prevenção a fraudes sem necessariamente impedir o uso regular do serviço por clientes com transações compatíveis com seu perfil.

Por que isso importa para o cidadão e para o mercado financeiro
Para o usuário final, a mudança mais visível é o risco de “não cair na hora” em operações consideradas sensíveis, mesmo quando o pagamento original foi autorizado.
Para o sistema financeiro, o tema afeta o desenho de compliance e de gestão de risco. A retenção cautelar reduz a assimetria entre a velocidade do cripto e o tempo de detecção de fraude.
O debate também ocorre num contexto em que o governo já vem acompanhando o peso das stablecoins no fluxo declarado. Um dado citado pelo Ministério da Fazenda aponta que stablecoins respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no Brasil.
- Possível aumento de segurança em transferências de alto valor
- Maior previsibilidade para disputas e contestação de fraudes
- Impacto operacional: prazos, comunicação ao cliente e registro de eventos
Em termos de dólar e fluxo cambial, o efeito direto depende da adesão do mercado e do perímetro final da norma, mas a sinalização é de aperto nos pontos de saída rápida de recursos.
O que já existe hoje na regulação e o que pode mudar no curto prazo
O BC já tem normas e procedimentos para reportes e controles em serviços ligados a ativos virtuais no mercado de câmbio. Uma referência recente é a Instrução Normativa BCB nº 693, que trata de procedimentos de remessa de informações ao BC nesse tipo de prestação.
A proposta de retenção por 24 horas, porém, é um passo diferente: sai do plano de reporte e entra no plano de intervenção temporal no fluxo, com foco em antifraude e integridade.
O debate também deve considerar a experiência do usuário e a padronização dos critérios entre instituições, evitando que a regra vire um “apagão” operacional em datas de alta volatilidade.
- BC consolida contribuições e detalha escopo (autocustódia, exterior, critérios de risco)
- Instituições ajustam processos: triagem, retenção, comunicação e logs
- Mercado monitora efeitos: fraudes evitadas, atrasos e impacto em remessas
Para quem opera cripto no dia a dia, a recomendação prática é acompanhar comunicados e políticas internas da corretora, e planejar transferências de maior valor com margem de tempo.
O tema se soma a medidas de segurança já discutidas no ecossistema de pagamentos. O BC, por exemplo, mantém páginas de orientação e regras gerais sobre o funcionamento do Pix, incluindo aspectos de segurança e limites em perguntas e respostas oficiais do sistema.
Dúvidas Sobre a retenção de 24 horas em transferências com stablecoins
A proposta do Banco Central sobre reter por até 24 horas certas transferências com stablecoins ganhou atenção em agosto de 2026 por envolver autocustódia, remessas ao exterior e um gatilho de US$ 10 mil. Estas respostas ajudam a entender impactos práticos e o que observar.
Isso vale para qualquer cripto ou só para stablecoin?
O debate reportado se concentrou em stablecoins, principalmente quando a operação vai para autocustódia ou exterior. O escopo final depende do texto regulatório que o BC vier a consolidar após contribuições.
Se eu transferir menos de US$ 10 mil, estou sempre fora da regra?
Não necessariamente. O valor citado funciona como gatilho, inclusive por soma diária, mas critérios de risco e desenho final podem incluir outras situações. O ponto prático é que o total do dia pode importar tanto quanto a transação individual.
O que muda para quem usa stablecoin para pagar serviços no exterior?
A principal mudança é a possibilidade de a transferência não ser concluída imediatamente, caso entre no escopo de retenção por até 24 horas. Para evitar surpresa, a orientação é planejar pagamentos de maior valor com antecedência e acompanhar regras da instituição.
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