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Desemprego, informalidade e crise econômica acabam com sistema de capitalização

As crises econômicas, recordes de desemprego, aumento da informalidade e a instabilidade do mercado financeiro  impediram que milhares de trabalhadores e trabalhadoras se aposentassem nos países que adotaram o modelo de capitalização da Previdência, que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) quer implantar no Brasil. Outros trabalhadores tiveram de adiar o início do descanso porque perderam parte do dinheiro investido nos fundos de pensão que administram este tipo de Previdência.

“Desde a crise econômica mundial de 2008, os fundos de pensão dos 36 países que fazem parte da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] perderam até 25% do valor”, diz a professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), Denise Gentil. “E os trabalhadores perderam muito do que investiram”, afirma.

“Nos Estados Unidos, quem investiu por mais de 20 anos e acumulou US$ 200 mil perdeu 25%; quem conseguiu guardar entre US$ 50 mil e US$ 100 mil perdeu 15%, como resultado da desvalorização dos ativos desses fundos de pensão. As pessoas tiveram que adiar suas aposentadorias porque a renda oferecida pelos bancos não daria para sobreviverem. Muitos, prestes a se aposentar, tiveram de trabalhar ainda mais alguns anos”.

Segundo Gentil, a média da desvalorização dos fundos ao redor do mundo foi de 38%, de 2008 a 2018. E nos países da América Latina as perdas foram ainda maiores. Na Argentina, os aposentados perderam 44%, no Peru 50%.

Para a professora “a instabilidade no capitalismo, com tendência a crises sucessivas faz os bancos se apropriarem do dinheiro do trabalhador”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, contraria a experiência internacional, que tem mostrado que a capitalização é desastrosa. Ele quer trazer para o Brasil o mesmo desastre que já aconteceu em diversos países

Informalidade acaba com sistema chileno

Outro alerta sobre os riscos que o modelo de capitalização da Previdência representa para os trabalhadores e para o país foi feito o presidente da Confederação da Produção e do Comércio do Chile (CPC), Alfonso Swett. Segundo ele, “o aumento da informalidade minou o sistema de capitalização do Chile e o transformou em uma bomba social”.

No Chile tem 2,4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras informais contra 4,8 milhões com carteira assinada. No Brasil, o número de informais não para de crescer desde a aprovação da nova lei trabalhista e o país já tem 23,9 milhões de informais, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Swet, a tragédia chilena deve servir de exemplo para o governo de Bolsonaro que defende a substituição do modelo atual de Previdência Social brasileiro, de repartição, pelo de capitalização como a única saída para resolver o problema da crise econômica do país.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, acrescenta a preocupação com o aumento do desemprego no Brasil, tragédia que atinge mais de 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, mas não está entre as prioridades de Bolsonaro e da sua equipe econômica, à lista dos pontos levantados contras a capitalização.

“Como conseguir fazer uma poupança individual para o futuro se você fica dois anos desempregado?”, questiona Vagner, que acrescenta: “E os que conseguem recolocação no mercado têm salários mais baixos, não têm carteira assinada e, portanto, não têm direito sequer a vale alimentação. O que esses trabalhadores ganham por mês mal dá para comer, imagine fazer poupança para se aposentar”.

É mais uma proposta de Bolsonaro contra o povo brasileiro

Propaganda mentirosa

A economista Denise Gentil rebate, ainda, os argumentos do governo de que a experiência europeia deu certo, afirmando que, na verdade, na Europa o regime de capitalização nunca foi o principal modelo adotado.

“Na Europa, a capitalização é um regime complementar. Lá, o principal é o regime de repartição simples, como o nosso. Mas, Guedes, quer que o regime alternativo seja o principal por aqui”, diz Denise.

Segundo ela, a perspectiva de empobrecimento aumenta muito para os mais pobres com o sistema de capitalização.

“Não só existe uma parcela enorme da população que não conseguirá poupar, como têm aqueles que terão uma perda enorme de patrimônio, com uma renda extremamente baixa”.

O economista da Unicamp, Marcio Pochmann, reforça os argumentos contrários à capitalização lembrando do estudo da OIT revelou que de cada três países que mudaram para o regime de capitalização da Previdência, dois tiveram de voltar atrás, porque não deu certo.

“Pelo sistema de capitalização, o aposentado só vai conseguir receber um terço do que contribuiu. Vai rebaixar muito o poder aquisitivo da população”, critica.

Reduzir o tamanho do Estado não ajuda economia

Marcio Pochmann critica o que chama de “racionalidade econômica”, que está sendo utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro, nos mesmos moldes dos discursos dos ex-presidentes Collor de Mello e FHC, de que o setor privado é mais eficiente, para reduzir o tamanho do Estado.

“A reforma da Previdência, é um discurso de racionalidade econômica, ideológico, de que tudo que é privado é melhor, sem se importar com as consequências”.

*Matéria originalmente publicada no Portal da CUT

Hoje começa o fim do governo Bolsonaro, diz Vagner Freitas

A Greve Nacional da Educação pela aposentadoria e contra os cortes de investimentos da educação básica até a pós-graduação anunciados pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) levou milhões de brasileiros e de brasileiras às ruas do país, nesta quarta-feira (15). Só na Avenida Paulista, em São Paulo, o ato reuniu mais de 250 mil pessoas.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, essas mobilizações, além das greves e paralisações, mostraram que os professores, estudantes e trabalhadores não vão aceitar as medidas de arrocho e destruição de áreas como educação e Previdência Social e vão lutar pelos seus direitos e pelo futuro do Brasil. E, se continuar nesse caminho, Bolsonaro pode ir se preparando para ir para casa, disse.

Quero dizer, companheiros e companheiras, que hoje começa o fim do governo Bolsonaro. E nós vamos decretar o fim em 14 de junho, dia da maior greve geral que o Brasil vai fazer em defesa da educação, da aposentadoria e de empregos decentes

– Vagner Freitas

De acordo com o sindicalista, o governo parece não ter acreditado na capacidade de luta dos professores, estudantes e trabalhadores, o que foi um erro, avaliou.

“Queria dizer em alto e bom tom: Bolsonaro, não ouse não acreditar na capacidade de luta da juventude brasileira, dos trabalhadores da educação e de outras categorias do Brasil”, afirmou para o público presente na Avenida Paulista, lembrando que, em entrevistas aos jornais, Bolsonaro deu a entender que não teria nenhuma mobilização nesta quarta (15), que não aconteceria nada, mas hoje disse nos Estados Unidos que tem um monte de pau mandado nas ruas.

“Puxa vida, como tem pau mandado nas ruas do Brasil pra derrotar o governo Bolsonaro”, ironizou Vagner, acrescentando que é preciso libertar o povo brasileiro da escravidão.

“Nós não queremos mais a dependência do sistema financeiro”, disse Vagner, que afirmou: “Bolsonaro é fantoche dos bancos. Quem manda no Brasil são os bancos e eles que querem que Bolsonaro privatize a educação e a previdência pra vender como artigo nos bancos. Eles são nossos inimigos. E nós precisamos lutar“.

“Nós queremos uma educação livre. Nós queremos os livros e não as armas”, disse o presidente da CUT, se referindo ao decreto assinado por Bolsonaro facilitando o porte de armas, entre outras categorias, para advogados, caminhoneiros, jornalistas da área de polícia e políticos eleitos – presidente da República, senadores, deputados estaduais e federais, governadores e vereadores.

E por tudo que aconteceu neste país hoje, podemos dizer que “este é um dia histórico em defesa da soberania, da democracia, da liberdade de expressão, contra a violência e pela paz”, afirmou Vagner, concluindo: Precisamos de emprego, da Previdência, da educação de qualidade e de Lula Livre”.

No dia da greve da educação, o ex-presidente Lula foi lembrado em atos por todo o país e também nas rede sociais. A hashtag #LulaLivre ocupou as primeiras posições do ranking do Twitter no inicio da tarde desta quarta.

*Matéria originalmente publicada no site da CUT Brasil

Rumo à greve geral contra a reforma da Previdência

Este 1º de Maio entrará para a história do país por unir trabalhadores vestidos com as cores de todas as centrais sindicais, em um mesmo ato e com um só grito: contra a reforma da Previdência. Homens e mulheres hoje invisíveis ao governo aclamarão a data da greve geral que vai parar o Brasil para barrar um dos mais descarados e cruéis ataques aos direitos da classe trabalhadora.

CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, CSB, CGTB, Nova Central, CSP-Conlutas e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo estarão unidas neste 1º de Maio, porque essa é a vontade da classe trabalhadora. Conduzirão juntas essa luta prioritária porque a classe trabalhadora quer parar o país contra a reforma da Previdência.

Ignorados pelo governo, os trabalhadores irão às ruas porque não admitem ter de trabalhar por 40 anos para acessar a aposentadoria integral. Não aceitam um sistema de capitalização que só aumentará os já escorchantes lucros dos banqueiros. Não admitem ser prejudicados por uma proposta que piora a vida da maioria da população, mas, principalmente, pune as mulheres e os mais pobres. Não querem os professores nas salas de aula até os 60 anos nem trabalhadores do campo sem direito de se aposentar.

A tarefa histórica das centrais de organizar a luta da classe trabalhadora cresce nesse momento em que o país está obscurecido pela anormalidade democrática –por isso a unidade é importante. Ao lado dos movimentos sociais, formamos a resistência a um governo que, desde a posse, tem adotado medidas hostis à classe trabalhadora, contrárias aos setores mais pobres e de perseguição à organização sindical, com o objetivo de destruir a capacidade de resistência dos entes que representam legitimamente os trabalhadores. Medidas autoritárias e inconstitucionais, que expressam o compromisso do Planalto com as forças conservadoras que elegeram Jair Bolsonaro (PSL) e a total sujeição dos interesses públicos à lógica de um mercado dominado pelo capital financeiro.

Arquitetada para satisfazer essa parcela dominante, a reforma da Previdência é inadmissível sob todos os aspectos. Uma crueldade à qual homens e mulheres, no campo e na cidade, não se curvarão. Não aceitarão que transfiram às costas do trabalhador a responsabilidade por um “déficit da Previdência”, que fecha os olhos aos quase R$ 400 bilhões que empresas sonegaram ao INSS.

Não aceitarão uma reforma da Previdência que desestrutura a família brasileira, ao atingir do filho jovem, que ainda não entrou no mercado de trabalho, ao avô cuja aposentadoria é essencial a um orçamento familiar esgarçado por desemprego recorde e economia estagnada.

Não há perspectivas de melhora. Faltam propostas e competência ao governo para tirar o país do caos herdado da gestão ilegítima de Michel Temer (MDB) e agravado pelos 120 dias sob Bolsonaro e Paulo Guedes.

Por isso, convido as famílias brasileiras a participar do ato mais próximo às suas casas. No Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e em todo o país, a militância da CUT também erguerá no 1º de Maio a bandeira da luta pela liberdade de Lula. Operário antes de se tornar o melhor presidente que este Brasil já teve, Lula segue como principal líder da cena política nacional e, por isso mesmo, imprescindível à luta para barrar a reforma da Previdência.

Lula livre é a vontade e a luta da classe trabalhadora, que permeiam todas as categorias e os movimentos sociais e sindical.

Nossa luta por uma Previdência pública, universal e solidária, que amplie a proteção social e os direitos dos trabalhadores, quer um Brasil democrático que volte a crescer, com geração de emprego decente.

 

*Matéria publicada originalmente no site da CUT Brasil